quarta-feira, 19 de maio de 2010

FRESTA


Imagem: Internet

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longíquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa, nasceu em Lisboa em 13 de junho de 1888 era tímido e cheio de imaginação.   Era um rapaz solitário, de pouca vida social e amorosa, mas um estudioso dedicado e brilhante. Morreu aos 47 anos, vítima de cirrose hepática. Escritor e poeta, foi um dos maiores poetas da Literatura Universal, comparado muitas vezes com Luís de Camões.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Vivendo-me


Não sei ao certo em que situação meu amigo Rimene usou pela primeira vez a expressão “Aline vive-se!” Nem sei se ele chegou a repeti-la. Também não tenho certeza se ele estava fazendo um elogio, mas, como é bem do meu feitio lenir, o fato é que a locução colou e, hoje, virou sinônimo de uma outra frase (que eu amo!) muita usada pelos belgas: Fais-toi plaisir (faça prazer a você mesmo). Me lambuzo com isso!

Que os apressados não pensem que, por isso, eu passo em lojas de relógios caros ou roupas deslumbrantes, saco o cartão de crédito e compro o que vejo pela frente, apesar do meu saldo digno de jornalista. Não saio por aí fazendo o que me dá na telha, como uma adolescente que se acha imortal, assim como não faz meu estilo beber até cair ou coisas do gênero.

"Vivo-me" quando presto atenção em mim mesma e identifico o que me faz feliz. Ou sei que uma atitude vai respeitar os desejos do meu coração, apesar do que está marcado na agenda. Não tem nada a ver com preguiça, pois, em muitos casos, "viver-me" significa passar horas cozinhando para quatro ou cinco amigos – mesmo sabendo que é bem mais confortável combinar de encontrá-los num bar ou restaurante. "Vivo-me" no tempo em que me permito, me enxergo (e aos meus) como merecedores das coisas que considero boas.

"Viver-se" é gostar de sua própria companhia numa sexta à noite que não promete muito mais que um bom vinho, uma pizza light de supermercado ou um filme por acaso na tevê. Eu "vivo-me" quando me sou licença para dizer não a um monte de coisas no fim de semana só para ficar em casa. Ou o contrário. "Vivo-me" ao tomar um chá prestando atenção nele, no aroma, no gosto, na temperatura da caneca que aquece minhas mãos.

Sei que parece simples. Mas estou convencida de que há muita gente que não se faz prazer para dar prazer aos outros. Estou igualmente certa que isso não é altruísmo. Muitas vezes esse comportamento é, simplesmente, insegurança. Medo de desagradar. Talvez seja só uma desculpa pra reforçar minha tese, mas prefiro acreditar que se você está bem, a qualidade do que passa de você mesmo aos outros é melhor.

Quero, com isso, dizer apenas que é simples ter bons momentos e que o pouco basta, desde que saibamos curtir e valorizar os instantes que nos fazem bem. Clarice Lispector já havia dito que simplicidade dá muito trabalho. Estou de acordo. É uma atividade árdua, mas, uma vez lá, pode significar felicidade.

Texto/fonte: este texto maravilhoso é da jornalista Aline Leonardo de Goiânia/GO, extraído do seu blog http://canecadanina.blogspot.com/

domingo, 11 de abril de 2010

Soneto do Amor Total


Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de amar assim muito amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

domingo, 21 de março de 2010


"Quem não compreende um olhar,

tampouco compreenderá uma longa explicação."

Mário Quintana

segunda-feira, 15 de março de 2010

ORAÇÃO DE JOELHOS


Bendita seja a mãe que te gerou!
Bendito o leite que te fez crescer!
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama pra te adormecer!

Bendito seja o brilho do luar
Da noite em que nasceste tão suave,
Que deu essa candura ao teu olhar
E à tua voz esse gorjeio d'ave!

Benditos sejam todos que te amarem!
Os que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão, fervente, louca!

E se mais que eu, um dia te quiser
Alguém, bendita seja essa mulher!
Bendito seja o beijo dessa boca!

Florbela Espanca

segunda-feira, 8 de março de 2010

Aos que não casaram,

Aos que vão casar,

Aos que acabaram de casar,

Aos que pensam em se separar,

Aos que acabaram de se separar.

Aos que pensam em voltar...

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja.

O AMOR É ÚNICO, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.

A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue,

A SEDUÇÃO tem que ser ininterrupta...

Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança, acabamos por sepultar uma relação que poderia SER ETERNA.

Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas.

Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes, nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, RESPEITO.

Agressões zero.

Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência... Amor só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura, para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver BOM HUMOR para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.

Tem que saber levar. Amar só é pouco.

Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas para pagar.

Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar.

Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem , visando à longevidade do matrimônio, tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.

Tem que haver confiança. Certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão.

E que amar "solamente", não basta.

Entre homens e mulheres que acham que O AMOR É SÓ POESIA, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.

O amor é grande, mas não são dois.

Tem que saber se aquele amor faz bem ou não, se não fizer bem, não é amor. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.

O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom Amor aos que já têm!

Um bom encontro aos que procuram!

E felicidades a todos nós!

Artur da Távola

quarta-feira, 3 de março de 2010

Perguntei a um sábio,

a diferença que havia

entre amor e amizade,

ele me disse essa verdade...

O Amor é mais sensível,

a Amizade mais segura.

O Amor nos dá asas,

a Amizade o chão.

No Amor há mais carinho,

na Amizade compreensão.

O Amor é plantado

e com carinho cultivado,

a Amizade vem faceira,

e com troca de alegria e tristeza,

torna-se uma grande e querida

companheira.

Mas quando o Amor é sincero

ele vem com um grande amigo,

e quando a Amizade é concreta,

ela é cheia de amor e carinho.

Quando se tem um amigo

ou uma grande paixão,

ambos sentimentos coexistem

dentro do seu coração.

William Shakespeare