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quarta-feira, 13 de maio de 2009

RECORDEI-ME




Sou palavra perdida no silêncio

Gerada no ventre do Mar

Grinalda de perdidos sonhos

O passado do verbo amar



Amei!

Voar na chegada de cada Primavera

Pintar de luz as cores do verão

Pisar o tapete das folhas de Outono

Acender em cada inverno uma fogueira de paixão



Amei!

A tua respiração a bater em meu rosto

Habitei o alto de branca montanha

Procurei-te no Mundo até ao Sol-posto



Ouvi murmúrios em cada sonho

Sonhei-te esculpida em alva espuma

Um diadema de estrelas-do-mar

Coroou-te Deusa da Bruma



Naveguei em mar de nuvens

Com leme de incerto rumo

Velas impaciente nos mastros

Vento fugindo do Sol a prumo



Fugi!

Desta ilha na procura do sonho

Caiu sobre mim o tempo

Naveguei num Oceano profundo



Cavalguei tempestades medonhas

Construí uma torre de areia

De lábios frios, saíram palavras abrasadoras

Procurei a paz à luz de uma candeia



Dormi com a terra

Lavei a contradição em águas claras

Um grito brotou do fundo da minha alma

Espalhei no vento as minha mágoas



Voltei!

A uma espera de silêncio

Um cais de negras pedras acolheu-me

Subi a um vulcão adormecido

Abri os braços ao celeste…recordei-me…

O Profeta.