
Sou palavra perdida no silêncio
Gerada no ventre do Mar
Grinalda de perdidos sonhos
O passado do verbo amar
Amei!
Voar na chegada de cada Primavera
Pintar de luz as cores do verão
Pisar o tapete das folhas de Outono
Acender em cada inverno uma fogueira de paixão
Amei!
A tua respiração a bater em meu rosto
Habitei o alto de branca montanha
Procurei-te no Mundo até ao Sol-posto
Ouvi murmúrios em cada sonho
Sonhei-te esculpida em alva espuma
Um diadema de estrelas-do-mar
Coroou-te Deusa da Bruma
Naveguei em mar de nuvens
Com leme de incerto rumo
Velas impaciente nos mastros
Vento fugindo do Sol a prumo
Fugi!
Desta ilha na procura do sonho
Caiu sobre mim o tempo
Naveguei num Oceano profundo
Cavalguei tempestades medonhas
Construí uma torre de areia
De lábios frios, saíram palavras abrasadoras
Procurei a paz à luz de uma candeia
Dormi com a terra
Lavei a contradição em águas claras
Um grito brotou do fundo da minha alma
Espalhei no vento as minha mágoas
Voltei!
A uma espera de silêncio
Um cais de negras pedras acolheu-me
Subi a um vulcão adormecido
Abri os braços ao celeste…recordei-me…
O Profeta.