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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O CAMINHO SECRETO DAS GAIVOTAS

Hoje a ilha acordou abraçada ao vento
A chuva derramou um rio de contas de água
Hoje uma roseira esqueceu-se de florir
Hoje uma alma suspirou uma profunda mágoa
Quantos caminhos tem um coração
De quantas Luas se faz uma espera
De quantos sortilégios se faz a assombração
De quantas cores se pinta a quimera?
O mar acordou zangado
Açoitou as pedras em frenesim de sal
A espuma ornamentou a ilha em diadema
Afugentou para as profundezas a investida do mal
Hoje os pássaros guardaram o canto
As folhas cobriram a terra
Os deuses enviaram o vento tempestuoso
Declarar ao verde uma furiosa guerra
Estas vagas galgaram o colo da costa
Um ninho resiste ao agreste do tempo
Uma giesta dobra-se ao fustigo
Uma hortênsia eclode no negro basalto
O amor procura o aconchego
Duas almas suspiram em entrega total
Explode a paixão, enlouquece o querer
O amar às vezes é pecado mortal......
Às vezes uma intensa alucinação
Em que viajas pelo meu eu
Às vezes o mundo fica em espera
Da união do mar com o céu
Onde param os teus anseios
Onde encontras a sublime calma
Nestes dias de dura tormenta
Onde aqueces a tua alma?
E eu que não desisto de amar o mar
E eu que vivo prisioneiro do horizonte
E eu que vagueio na crista do sonho
E eu que arrocho esta alma inconstante
Uma alma que corre o mundo de lés a lés
Tal como este vento que varre as encostas
Viajo na distância de um beijo perdido
No...Caminho Secreto das Gaivotas...
O PROFETA

domingo, 24 de maio de 2009

O MENSAGEIRO


Sou coração que segue em silêncio

Nos fios do sublime pensamento

Pela ressurreição de um sorriso

Renasço nas asas do tempo


Esta Terra é degredo dos sonhos

É espelho que distorce o sentimento

É castigo no julgamento do fracasso

É fogo que se cala a todo o momento


Perde-se no tempo

Este aceso archote de magnética paixão

Muito para além da terra se repete

Esta muda melodia de eterna solidão


Cheguei a meio de um longo inverno

Não tenho no céu uma estrela guia

Uma sombra às vezes procura a luz

O Sol recolhe a claridade ao fim do dia


Na noite

Oiço as vozes dos filhos da Terra

O cantar das águas de uma lagoa

O murmúrio das pedras em suave espera


O canto das flores solto no espaço

Afastei-me à muito da procissão da vida

A carícia de ondulante brisa nocturna

Abriu em minha alma uma força incontida


No abandono de uma nuvem de Anjos

Fiquei proibido das minhas recordações

O sortilégio da vida tocou-me em sorte

Senti o frio deste mar de contradições


Perdi as asas, a harpa de ouro

Pisei o frio da terra molhada

Com trémula mão toquei uma flor

Afastei a bruma desta alma assombrada


Percorri todas as estações

Lutei contra mil desejos insatisfeitos

Percorri a distância de cada verdade

Varri os sonhos incompletos


Falei a todos da virtude do amor

Ignorei o ódio, a raiva é sentimento derradeiro

Sou uma flor que eclodiu das pedras

Uma estranha criatura de Deus ou…Um Mensageiro…
O Profeta

quarta-feira, 13 de maio de 2009

RECORDEI-ME




Sou palavra perdida no silêncio

Gerada no ventre do Mar

Grinalda de perdidos sonhos

O passado do verbo amar



Amei!

Voar na chegada de cada Primavera

Pintar de luz as cores do verão

Pisar o tapete das folhas de Outono

Acender em cada inverno uma fogueira de paixão



Amei!

A tua respiração a bater em meu rosto

Habitei o alto de branca montanha

Procurei-te no Mundo até ao Sol-posto



Ouvi murmúrios em cada sonho

Sonhei-te esculpida em alva espuma

Um diadema de estrelas-do-mar

Coroou-te Deusa da Bruma



Naveguei em mar de nuvens

Com leme de incerto rumo

Velas impaciente nos mastros

Vento fugindo do Sol a prumo



Fugi!

Desta ilha na procura do sonho

Caiu sobre mim o tempo

Naveguei num Oceano profundo



Cavalguei tempestades medonhas

Construí uma torre de areia

De lábios frios, saíram palavras abrasadoras

Procurei a paz à luz de uma candeia



Dormi com a terra

Lavei a contradição em águas claras

Um grito brotou do fundo da minha alma

Espalhei no vento as minha mágoas



Voltei!

A uma espera de silêncio

Um cais de negras pedras acolheu-me

Subi a um vulcão adormecido

Abri os braços ao celeste…recordei-me…

O Profeta.

sábado, 4 de abril de 2009

ALMA NOVA

O Dom das Palavras homenageia neste mês, um mago na arte da poesia, nosso amigo Armando Moreira do blog "O Profeta".

Quem quiser conhecer um pouco mais deste belo trabalho e adquirir suas obras, pode acessar ao site:
ALMA NOVA

Uma alma paira na brisa
A beleza mora no feliz pensamento
Murmurada oração toca os meus ouvidos
A palavra sai do peito em sentimento

Os pássaros alegram-se na tua passagem
Ainda tão breves são os dias
Já teus olhos bebem as virtudes do Sol
Já sorris no abraço que ao sentir confias

Na aurora do teu próprio dia
És alegria que a alma desperta para o alto
És harpa tocada por querubim
Uma flor azul que eclode do basalto

Olhos brilhantes marejados de fé
Estola de verde esperança
Braços abertos ao ritual sagrado
A palavra eleva-se plena de confiança

- Aqui nos reunimos irmãos
Para dar um sacramento a esta menina
Fazer dela filha de Deus
Para que viva na fé desde pequenina

Acenda-se uma vela no Círio Pascal
A chama sagrada teu caminho ilumina
Guiará dia a dia em esperança
Sou sentinela da vontade divina

Porque Pai-nosso que no Céu estás
Protegei estas almas inquietas
Fazei descer a tua luz
Para que estas almas sejam despertas

- Maria, em nome do Pai e do Filho
Do Divino Espírito Santo
Eu te baptizo com esta água benta
Que caiu do céu em suave pranto

Com este óleo sagrado
Unjo em cruz a tua testa
Crepita o incenso no fogo
Anunciando divina festa

Ergo ao céu esta criatura
Apresento-vos a fé que se renova
Uma salva de palmas para a Maria
A Terra ganhou uma…Alma Nova…
O Profeta