domingo, 17 de janeiro de 2010

Em algum lugar do passado...

Não assisti ao filme, mas acabei de ler o livro "Em algum lugar do passado" de Richard Matheson e digo a vocês que não percam a oportunidade de ler essa maravilhosa história de amor entre um jovem teatrólogo do século XX e uma famosa atriz do século XIX.

Uma grande paixão que rompe as barreiras do tempo.

Encantador!

domingo, 3 de janeiro de 2010

O TEMPO PASSA? NÃO PASSA



O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mão e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.

Carlos Drummond de Andrade
do livro: Amar Se Aprende Amando

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

POETAS

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!

Florbela Espanca.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ontem foi aniversário de nascimento e morte de Florbela (1834-1930).
Cantigas leva-as o vento...

A lembrança dos teus beijos

Inda na minh'alma existe,

Como um perfume perdido,

Nas folhas dum livro triste.

Perfume tão esquisito

E de tal suavidade,

Que mesmo desapar'cido

Revive numa saudade!

Florbela Espanca

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

FLORBELA EM: TROCANDO OLHARES...

Não faz muito tempo que tive conhecimento da obra de Florbela, mas desde o primeiro momento, apaixonei-me por ela. Hoje, Florbela faz parte do meu dia. Seus versos, frases e poemas habitam minha mente diariamente...
Não é por acaso que este blog começou com sua história e poemas recitados por Miguel Falabella, aliás, os meus preferidos (esta lá no ínicio, quem não viu, dê uma espiadinha...), Florbela me despertou para a poesia, sua intensidade e paixão transformadas em palavras me faz viajar em seus versos, por isso é ela, a principal inspiração deste blog.
Neste mês, quero dividir com vocês alguns dos poemas de Florbela Espanca de seu manuscrito intitulado "Trocando Olhares". Espero que apreciem estes versos maravilhosos, escritos por esta mulher que viveu muito à frente de seu tempo.
Abraço a todos!
DEDICATÓRIA DO MANUSCRITO TROCANDO OLHARES
"É só teu o meu livro; guarda-o bem;
Nele floresce o nosso casto amor
Nascido nesse dia em que o destino
Uniu o teu olhar à minha dor!"

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

OS MEUS VERSOS

Lestes os meus versos? Leste? E advinhastes
O encanto supremo que os ditou?
Acaso, quando os leste, imaginaste
Que era o teu esse olhar que os inspirou?
Advinhaste? Eu não posso acreditar
Que advinhasses, vês? E até, sorrindo,
Tu disseste pra ti: "Por um olhar
Somente, embora fosse assim tão lindo,
Ficar amando um homem!... Que loucura!"
- Pois foi o teu olhar, a noite escura,
(eu só a ti o digo, e muito a medo...)
Que inspirou esses versos! Teu olhar
Que eu trago dentro d'alma a soluçar!
.............................................................
Ai não descubras nunca o meu segredo!
Florbela Espanca.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quando me amei de verdade...


Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.


Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é... Autenticidade.


Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de... Amadurecimento.


Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é... Respeito.


Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor-próprio.


Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é... Simplicidade.


Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a... Humildade.


Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.


Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é... Saber viver!!!


Charles Chaplin